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Entrevista Dra. Milena Karina Coló Brunialti

Possui Bacharelado e Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São Carlos (1995), Mestrado em Ciências Básicas em Doenças Infecciosas e Parasitárias (2000), Doutorado em Ciências (2005) e Pós-doutorado em Imunologia da Sepse pela Disciplina de Infectologia pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina. Atualmente é Pesquisadora e Supervisora do Laboratório de Imunologia da Disciplina de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo, onde coordena o desenvolvimento e execução de projetos científicos. Atuando principalmente nos seguintes temas: imunologia, citometria de fluxo, LPS, Toll-like receptors, ativação celular, sepse, citocinas.


Q: Qual sua experiência com citometria de fluxo?

Dra Milena: Ingressei no laboratório em 1996 e dois anos depois tive meu primeiro contato com a citometria de fluxo usando o BD FACSCalibur™*. Continuei utilizando o equipamento nos anos seguintes, durante meu mestrado e doutorado. Na época de pós-doutorado também trabalhei com BD FACSCalibur™*. Em 2013 o laboratório adquiriu um BD LSRFortessa™ com 4 lasers e 12 cores. Assim, tive a oportunidade de trabalhar com diversas plataformas e pude acompanhar a evolução da metodologia.

Atuando como supervisora do laboratório, tenho a oportunidade de assessorar teses e prestar consultoria para diferentes tipos de experimentos e aplicações. Desenvolvo também, junto ao Ministério da Saúde, o projeto de Avaliação Externa da Qualidade (AEQ) para os exames de quantificação de células CD4/CD8 da Rede Nacional de Laboratórios de CD4+/CD8+.

Q: Qual a área de pesquisa do Laboratório e como a citometria de fluxo se insere neste contexto?

Dra Milena: A linha de pesquisa principal do laboratório é focada no estudo da Sepse e resposta imunológica a bactérias. Atualmente trabalhamos com amostras de pacientes e também modelos in vitro, buscando correlações e comparações entre as respostas analisadas.

A citometria de fluxo sempre desempenhou papel primordial nas investigações do laboratório, sendo por muito tempo a metodologia principal utilizada em nossos estudos. Atualmente, utilizamos também outras metodologias de pesquisa focadas em biologia molecular para buscarmos outras respostas em nossas pesquisas.

Além disso, por trabalharmos com amostras clínicas, recebemos amostras frequentemente raras e escassas, e a citometria de fluxo é um importante aliado para conseguirmos fazer as análises multiparamétricas que precisamos com excelente aproveitamento do material que temos.

Q: E como o BD LSRFortessa™ tem contribuído para o desenvolvimento de painéis mais amplos e com maior número de parâmetros? Vocês estão usando os novos fluorocromos da linha BD Horizon Brilliant™?

Dra Milena: Entre os trabalhos que estão sendo desenvolvidos atualmente pelo laboratório, contamos com painéis de até 10 marcadores para avaliação das respostas imunológicas. Já temos painéis montados para os próximos estudos nos quais contaremos com a análise de 12 cores com a utilização de boa parte da linha BD Horizon Brilliant™ e seus novos marcadores. Pela experiência atual, os fluorocromos da linha que já utilizamos são realmente muito fortes e muito bons.

Q: Recentemente você publicou nas redes sociais um ensaio multiparamétrico usando o BD™ CBA para quantificação de 10 citocinas, fala pra gente um pouco mais sobre este ensaio.

Dra Milena: Essa é uma história interessante para contar para vocês! No início estavamos com uma grande dúvida entre o uso do BD™ CBA e outra técnica multiparamétrica de quantificação de citocinas. Entre diversos motivos, principalmente o custo muito inferior do BD™ CBA, necessidade de duplicata da outra metodologia e nossa maior familiaridade e confiança no citômetro de fluxo utilizado, decidimos pelo BD™ CBA.

Em um projeto de parceria com um grupo do GRAACC, fizemos a quantificação de 10 citocinas plasmáticas de pacientes oncopediátricos usando BD™ CBA Flex Set em um projeto que analisará cerca de 130 amostras. Ainda faremos mais uma bateria de aquisição, mas os resultados inicias foram ótimos, obtendo curvas-padrão de altíssima linearidade, R2 entre 99,8 e 99,9%, acho que ficou bom, não?

Além deste projeto, há algum tempo já utilizamos a metodologia do BD™ CBA em diversos outros estudos, e quando não é possível, como alguns trabalhos recentes em que usamos o ELISA clássico, podemos sentir a diferença de tempo de protocolo e trabalho manual.

Q: Na sua opinião, com tantos anos de trabalho em citometria de fluxo e passando do BD FACSCalibur™* para o BD LSRFortessa™, quais foram as principais mudanças de conceito e inovações que você viu na área?

Dra Milena: Até mudaria sua pergunta. Apesar do nosso laboratório ter feito essa migração direta, na verdade, antes do uso do BD FACSCalibur™* também usei o BD FACSCalibur™* em meu pós-doutorado. As plataformas são bem diferentes, fiquei tanto tempo com o BD FACSCalibur™* que tinha certa barreira para usar o outro equipamento. Era mais uma barreira por ser algo novo, a partir do momento que você fala “vou aprender” e tira essa barreira, você vai dominando a técnica facilmente. O BD FACSCalibur™* é bem amigável com seu software BD FACSDiva™.

Aquele antigo estresse de não poder compensar offline era terrível, se não fosse feito corretamente, perdíamos tudo. Hoje o equipamento realiza a compensação e permite realizá-la offline posteriormente, se for necessário. Saber que a compensação que o equipamento pode fazer automaticamente pode ser melhor do que a que você fazia manualmente, é um super conforto. Certamente a compensação digital, automática foi uma inovação incrível.

Sobre o BD LSRFortessa™, a começar pelo treinamento operacional, que não foi apenas básico, foi um treinamento avançado, que me permitiu aproveitar muito. Obviamente, o maior número de cores e lasers é muito bom. A sensibilidade, a resoluçaõ e qualidade dos dados é muito melhor. Realizamos a mesma técnica, com a mesma pessoa fazendo o experimento, com casuística muito semelhante, rodando no BD FACSCalibur™* e no BD LSRFortessa e podemos ver as diferenças na qualidade e resolução dos dados. Resumindo, o CS&T Research Beads* já faz o controle de qualidade do equipamento, o BD FACSDiva™ Software faz a compensação automática, isso facilita muito a rodar as amostras. Hoje, só não faz citometria quem não quer!

E o gostoso da pesquisa é isso, amadurecer a informação, estar sempre aprendendo. Não significa que você é um cientista que você sabe tudo. Claro, você sabe bem a técnica, mas precisa se questionar: será que o que estou fazendo está correto? Será que tem coisa melhor para este trabalho? Não, hoje tem coisa mais moderna. Vamos parar para dar uma olhada antes de começar. Precisamos sempre evoluir, não estagnar.

Q: Pra gente finalizar, Milena, como é sua relação hoje com a BD?

Dra Milena: Hoje temos uma parceria legal, a BD participa do nosso curso trazendo conceitos importantes e novidades para o pessoal aprender. Vocês são bem abertos e isso facilita o relacionamento.

O suporte científico hoje é muito bom, quando comecei na citometria de fluxo, não tinha. O fato de ter, ajuda bastante, ainda mais com este monte de cores e pensando na combinação ideal do painel.

Acho muito legal ver que vocês estão crescendo como empresa e o suporte científico conjuntamente. Muitas vezes a gente se sente sozinho no laboratório, sem o suporte. É ótimo ter a BD mais próxima ao consumidor.




Este depoimento foi concedido pela pesquisadora aqui identificada a título espontâneo e gratuíto. Sendo certo que, nenhum pagamento e/ou benefício de qualquer natureza foi ou será devido à pesquisadora em razão deste depoimento.


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Estes produtos destinam-se exclusivamente a uso laboratorial não clínico, não utilizar em procedimento diagnóstico, com exceção dos itens marcados com *.